Sou investigadora em geomicrobiologia no IRNAS-CSIC (Sevilha), onde lidero o grupo BIOGEOCOM, dedicado ao estudo das interações entre microrganismos e minerais em ambientes subterrâneos. Desde o meu doutoramento na Universidade Nova de Lisboa, tenho vindo a explorar como a vida microbiana se adapta a condições extremas, em particular, em grutas vulcânicas das ilhas Canárias, Selvagens, Galápagos, Islândia, Sicília e da Ilha de Páscoa. Este conhecimento pode ajudar-nos a procurar vida noutros planetas!
Para ti, o que é a astrobiologia?
A astrobiologia é colaboração! É o esforço conjunto entre várias áreas - biologia, geologia, química, física... uma ponte entre o passado da Terra e o futuro da exploração espacial. Trabalho com microrganismos que vivem em ambientes extremos, como tubos de lava, que nos ajudam a perceber como a vida pode surgir, resistir e adaptar-se noutros planetas.
Como é a experiência de fazer trabalho de campo?
Cativante e essencial. Combina descoberta, aventura, esforço físico e entusiasmo científico. Cada gruta, cada rocha, pode guardar pistas sobre como a vida começa e se adapta a condições inóspitas. É como explorar mundos secretos debaixo dos nossos pés.
O que mais te surpreende sobre a vida subterrânea (ex. em grutas)?
A resiliência. Existem organismos que sobrevivem sem luz, com recursos mínimos, e que conseguem até consumir metais ou minerais para obter energia. Muitos produzem moléculas únicas, com grande potencial biotecnológico. E o mais incrível: há uma imensa diversidade microbiana no mundo subterrâneo que ainda está por descobrir.
Que conselho dás aos futuros astrobiólogos portugueses?
Explorem sem medo. Procurem o que vos apaixona, colaborem, envolvam-se em projetos multidisciplinares e nunca percam a curiosidade - é o motor da astrobiologia e das descobertas mais inesperadas.
Pipocas: salgadas ou doces?
Doces com um toque de sal - como a vida, melhor quando há contraste ;-)